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Quando
fala-se em vocabulário ou em palavra, é
necessário entendermos os vários aspectos
que o conceito abrange, como mostra o gráfico
ao lado. A distinção entre forma oral
e escrita é de importância maior no caso
de uma língua como inglês, cuja grau de
correlação entre pronúncia e ortografia
é notóriamente baixo (veja Correlação
Pronúncia x Ortografia). Também a distinção
entre significado e função gramatical
é de importância maior no caso do inglês,
devido à grande quantidade de palavras que exibem
a mesma forma e significado equivalente, podendo entretanto
ocorrer tanto como substantivo quanto como verbo.
QUE
SIGNIFICA "SABER VOCABULÁRIO"?
Embora
pareça natural ao leigo relacionar domínio
sobre uma língua com quantidade de vocabulário,
não existe no âmbito da lingüística
aplicada teoria equacionando habilidade em línguas
com conhecimento de vocabulário. Nem habilidade
nem conhecimento em língua estrangeira podem
ser medidos pelo número de palavras que a pessoa
"sabe".
Em
primeiro lugar, devemos investigar o significado de
"saber", de "ter" ou de "conhecer".
Saber uma palavra significaria apenas reconhecê-la
quando a vemos, ou seria mais do que isso: dispor dela
para expressarmos nossos pensamentos? Bastaria o conhecimento
passivo, ou esse conhecimento teria que ser ativo? E
bastaria reconhecê-la na sua forma escrita, ou
teríamos que ter também a habilidade de
reconhecê-la na sua forma oral? E se a reconhecêssemos
na sua forma oral, seria o bastante reconhecê-la
quando pronunciada isoladamente e claramente, ou teríamos
que ter a habilidade de reconhecê-la quando pronunciada
dentro de uma frase em velocidade normal de conversação,
às vezes em meio a outros ruídos?
Por
aqui já poderíamos concluir que a maioria
de nós não tem um conceito claro do significado
de "saber uma palavra". Entretanto, existem
ainda muitos outros argumentos para demonstrar que não
se mede conhecimento nem fluência em línguas
pelo número de palavras que se "sabe".
Como
classificaríamos por exemplo uma palavra como
o verbo ficar do português ou o verbo take do
inglês, para os quais podemos facilmente encontrar
uma dezena de significados? Saber apenas um ou dois
dos significados seria "conhecer" o verbo?
E mesmo que tivéssemos pleno conhecimento, passivo
e ativo, sobre a forma escrita e oral de palavras como
por exemplo o adjetivo large e o substantivo lie, porém
não soubéssemos que a combinação
de ambos (*large lie) não ocorre jamais, como
classificaríamos a situação?
Na hora de contabilizar os vocábulos que conhecemos,
palavras como sofismar e dobradiça teriam o mesmo
peso que beber e casa? Até que ponto o fato de
talvez não sabermos como se diz dobradiça
em inglês pode comprometer nossa fluência?
Se soubermos por exemplo que give significa dar, e que
a preposição in corresponde a em, porém
se não soubermos que give in significa ceder
ou que give up significa desistir ou abandonar, como
fica nossa contabilidade?
Finalmente, o que faríamos nesta contagem com
partículas funcionais como preposições
e artigos, praticamente desprovidas de conteúdo
semântico, especialmente quando comparadas a verbos
e substantivos?
Podemos concluir, portanto, que é praticamente
impossível quantificar vocabulário, e
podemos também inferir que habilidade (fluência)
em línguas não está diretamente
relacionada a simples familiaridade com vocabulário.
Só
a estruturação gramatical da língua,
isto é, a forma como o pensamento é estruturado,
já é mais importante do que seu vocabulário.
Uma coleção de palavras nunca chegará
a formar uma língua. São necessárias
as regras do jogo além das peças.
Línguas
são fenômenos complexos que incluem também
fonética, morfologia, sintaxe, cultura, etc.
"Linguagem é um sistema de representação
cognitiva do universo pelo qual as pessoas constroem
suas relações", como colocou uma
freqüentadora do nosso site. Sistema esse, moldado
pela identidade cultural de cada nação.
Assim
como não é o número de páginas
que determina a qualidade de um livro, nem a quantidade
de cores que determina a beleza de um quadro, não
é o número de palavras que influencia
diretamente o nosso poder de comunicação.
Se
fosse possível quantificar conhecimento sobre
vocabulário, poderíamos nos arriscar a
dizer que plena proficiência em um idioma estrangeiro,
ou seja, fluência, depende 80/90% de pronúncia,
70/80% de gramática e talvez 10/20% de vocabulário
(apenas5% segundo Hammerly, considerando-se todas as
palavras existentes no dicionário). Portanto,
habilidade em línguas não está
diretamente relacionada simplesmente a familiaridade
com vocabulário.
Não
é portanto a grande prioridade durante a fase
inicial do aprendizado, e tende a ser mais facilmente
assimilado à medida em que o aprendiz familiariza-se
com a estrutura gramatical da língua. Além
disso, não deve haver ensino de vocabulário
predeterminado e dirigido, mas sim um desenvolvimento
que segue naturalmente a direção dos interesses
do aprendiz e que progride na medida em que há
contato com a língua em situações
reais.
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