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O
problema revela uma deficiência do nosso ensino.
Proficiência na língua da comunidade global
é hoje uma qualificação básica
do indivíduo, tanto para sua carreira acadêmica
quanto profissional.
Embora nosso Ministério de Educação
já tenha demonstrado ter percebido o problema
parece que nossa comunidade acadêmica ainda reluta
em implementar as mudanças necessárias.
Os ensinos fundamental e médio continuam inertes,
atolados numa abordagem ao ensino da língua estrangeira
quase igual à do início do século
e carentes de professores proficientes na língua,
enquanto os cursos superiores de letras no Brasil, formadores
desses professores, continuam fazendo basicamente o
que sempre fizeram.
A necessidade que a partir daí surge no mercado,
é rapidamente explorada por uma larga maioria
de "cursinhos" inspirados predominantemente
na abordagem mecânica-repetitiva dos anos 60,
com resquícios da abordagem de tradução
e gramática do século passado. Tais empreendimentos
são geralmente motivados mais pela lucratividade
do que pela vocação acadêmica, e
sustentados por vultosas verbas publicitárias
que projetam uma marca em detrimento da identidade e
qualificação pessoal de quem ensina. O
cliente é uma presa fácil: tem uma necessidade
urgente e não tem como avaliar a curto prazo
a qualidade do que recebe. Se você, por exemplo,
não tivesse tido a oportunidade de experimentar
language acquisition nessa sua viagem de 15 dias, continuaria
embrenhado em frustrantes esforços para entender
a estrutura irregular desta língua estrangeira,
ou em maçantes exercícios para decorar
modelos de frases, convicto de serem estes os únicos
caminhos para alcançar a habilidade funcional
de que tanto necessita.
Quando defendemos a necessidade de uma profunda reforma
no ensino de línguas no Brasil, nossas palavras
podem não representar uma solução
para seu problema, para o problema do José Carlos
(José Carlos e o Ensino de Línguas no
Brasil), ou para o problema de muitos outros, agora.
Mas poderão, isto sim, representar uma solução
para nossos filhos, se assim o desejarmos. É
uma solução relativamente simples e barata,
e representa um ovo de Colombo. Basta o Ministério
da Educação e o Ministério do Trabalho
promoverem pequenos ajustes burocráticos para
facilitar a criação de núcleos
de convívio multiculturais em nossas escolas
de 1o e 2o grau, a exemplo das escolas internacionais
encontradas nos grandes centros. A partir daí,
convênios de intercâmbio com escolas do
exterior possibilitarão a presença constante
de falantes nativos de línguas estrangeiras.
Em paralelo, deverão ser desenvolvidos novos
currículos de cursos superiores em lingüística
aplicada voltados à licenciatura de profissionais
com preparo para implementar e coordenar os núcleos
de convívio multicultural. Este novo profissional
deverá ter sólidos conhecimentos nas áreas
da psicologia cognitiva e lingüística aplicada
(metodologia, lingüística comparada incluindo
fonologia, vocabulário e sintaxe, ensino da língua
mãe para estrangeiros, etc.). Requisito para
ingresso nesses programas será fluência
(por exemplo, TOEFL 550 a 600) e plena competência
cultural na língua cuja disseminação
irão futuramente coordenar. Requisito para conclusão
do programa deverá ser um ou dois semestre de
estudos no exterior, em país cuja língua
e cultura irão futuramente ensinar.
Quanto ao seu caso, considerando que não lhe
seja possível viajar ao exterior novamente e
por mais tempo, só podemos lhe sugerir que procure
ambientes que lhe proporcionem contato com a língua
e a cultura estrangeira por aí mesmo. São
Paulo é um centro grande onde você certamente
encontrará o que procura. Em nossa página
Como Escolher um Programa de Inglês no Brasil
você encontrará orientações
úteis.
Acredito que é perfeitamente possível
alcançar um escore TOEFL 500/550 por aqui. Deve-se
lembrar, entretanto, que diferentes pessoas têm
diferentes ritmos de assimilação bem como
diferentes tetos.
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