METODOLOGIA
CRIANÇAS
PRONÚNCIA
GRAMÁTICA
VOCABULÁRIO
HISTÓRICO
DEFICIÊNCIAS
RUMOS
ABRINDO ESCOLAS
INTERCÂMBIO
HUMOR
LINKS
QUEM SOU
MEU CURRICULUM
DÚVIDAS
FALE COMIGO
E-MAIL
 
 
 
 
DIFERENÇAS DE PRONÚNCIA ENTRE INGLÊS E PORTUGUÊS

INTRODUÇÃO

A language is a complete, complex, changing, arbitrary system of primarily oral symbols learned and used for communication within the cultural framework of a linguistic community. (Hammerly 26, meu sublinhado)

Língua é fundamentalmente um fenômeno oral. Nunca é demais salientar a importância da forma oral da língua. A forma escrita é mera decorrência da língua falada.

... speech is therefore the basic form of language. This leads us to the conclusion that speech should be emphasized in second language teaching ... (Hammerly 37)

Consideremos, em paralelo a isso, que o aparelho articulatório de sons do ser humano mostra-se extremamente limitado quando comparado ao universo lingüístico criado por sua mente. Além disso, o uso que o ser humano faz desse seu aparelho articulatório (cordas vocais, cavidade bucal, língua, etc.) para comunicar-se, varia consideravelmente de idioma para idioma. Deduz-se daí facilmente a importância que diferenças ínfimas na articulação de sons vem a ter.

É sem dúvida na pronúncia que a interferência entre duas línguas se torna mais evidente. A interferência fonológica da língua mãe na língua estrangeira que se aprende, na maioria dos casos permanece para sempre, mesmo com pessoas que já adquiriram pleno domínio sobre o vocabulário e a gramática da língua estrangeira.

Aquele que fala uma única língua invariavelmente acredita que os sons de sua língua correspondem a um sistema básico universal de sons da fala do ser humano. Esta idéia preconcebida normalmente prevalece ao longo do aprendizado da língua estrangeira e, enquanto persistir, interfere negativamente na percepção e na produção oral do estudante. Em um artigo (veja bibliografia) sobre interferência fonológica, Flege escreveu:

Estudantes de idiomas que acreditam ouvir na língua estrangeira sons quase idênticos aos da língua mãe (apesar de talvez reconhecerem pequenas diferenças fonéticas entre as duas línguas) irão basear sua pronúncia ao longo do processo de aprendizado num modelo acústico resultante de pares de sons semelhantes das duas línguas, em vez de baseá-la no modelo acústico específico da língua estrangeira, assim como ocorre no aprendizado da língua mãe. (443, minha tradução)

Em palavras simples, o que Flege quer dizer é o óbvio: que os ouvidos do aprendiz não irão reconhecer os sons da língua estrangeira como eles realmente são. Este é um forte argumento em favor de um estudo fonológico detalhado dos contrastes entre a língua mãe e a língua que se busca aprender - condição imprescindível para um bom professor de inglês. Uma apresentação precisa dos dois sistemas fonológicos ajudará o aluno a tomar consciência cedo de que os sons de um e outro idioma não são exatamente iguais, e que essas diferenças podem ser relevantes no significado, afetando o entendimento.

PORTUGUÊS x INGLÊS:

Diferentes línguas podem ser dois códigos de comunicação totalmente diferentes; ou, em alguns casos, até mesmo concepções diferentes de interação humana como resultado de profundas diferenças culturais. Este é, por exemplo, o caso do idioma japonês, quando comparado a qualquer uma das línguas européias. É necessário ter uma mente japonesa, dizem, para se poder falar japonês corretamente - o que sem dúvida é verdade.

Felizmente as diferenças entre português e inglês não são tão profundas. Devido a origens comuns - a cultura grega, o Império Romano e seu idioma, e a religião Cristã - todas as culturas européias e suas línguas podem ser consideradas muito próximas no contexto amplo das línguas do mundo. Poderíamos, por exemplo, dizer que a língua espanhola é quase irmã gêmea do português; a língua italiana, sua meia-irmã; o francês, seu primo; e o inglês, talvez um primo de segundo grau.

As semelhanças entre inglês e português ocorrem entretanto predominantemente no plano de vocabulário. Estruturação de frases e especialmente pronúncia apresentam profundos contrastes. Numa análise superficial, podemos relacionar as seguintes diferenças:

A primeira grande dificuldade que logo salta aos olhos (e aos ouvidos) do aluno principiante, é a difícil interpretação oral das palavras escritas em inglês. No português, a interpretação oral de cada letra é relativamente clara e constante. No inglês, entretanto, não apenas é pouco clara e às vezes até muda, como altamente irregular. Ex: literature [lItrâtshuwr], circuit [sârkât]. Veja Correlação Ortografia x Pronúncia.
O inglês faz um uso do sistema articulatório e exige um esforço muscular e uma movimentação de seus órgãos, especialmente da língua, significativamente diferentes, quando comparado à fonética do português. A articulação de muitos sons do inglês bem como de outras línguas de origem germânica, pode ser facilmente classificada como sendo de natureza difícil. Isto está provavelmente relacionado ao fato de que o inglês é rico na ocorrência de consoantes enquanto que o português é abundante na ocorrência de vogais e combinações de vogais (ditongos e tritongos). Ex: December is the twelfth month of the year. / Eu sei que o Áureo vai ao Uruguai e o João ao Paraguai. / Eu sou europeu.
O inglês é uma língua mais econômica em sílabas do que o português. O número de palavras monossilábicas é muito superior quando comparado ao português. Ex:


MONOSSILÁBICAS
book / li-vro
car / car-ro
dream / so-nho
house / ca-sa
milk / lei-te speak / fa-lar
trip / vi-a-gem
white / bran-co
wife / es-po-sa
write / es-cre-ver

Além disso, a média geral de sílabas por palavra é inferior, pois mesmo palavras polissilábicas e de origem comum, quando comparadas entre os dois idiomas, mostram uma clara tendência a redução em inglês. Ex:


POLISSILÁBICAS
gram-mar / gra-má-ti-ca
mo-dern / mo-der-no
na-ture / na-tu-re-za
te-le-phone / te-le-fo-ne com-pu-ter / com-pu-ta-dor
prin-ter / im-pres-so-ra
air-plane / a-vi-ão
psy-cho-lo-gy / psi-co-lo-gi-a

Em frases, esta tendência tende a aumentar. Ex:
Let's-work (2 sílabas)
I-li-ke-beer (4 sílabas)
I-want-cof-fee-with-milk (6 sílabas)
Did-you-watch-that-mo-vie? (6 sílabas) Va-mos-tra-ba-lhar (5 sílabas)
Eu-gos-to-de-cer-ve-ja (7 sílabas)
Eu-que-ro-ca-fé-com-lei-te (8 sílabas)
Vo-cê-as-sis-tiu-à-que-le-fil-me? (10 sílabas)

Estudos de fonoaudiologia demonstram que a baixa média de sílabas por palavra do inglês se traduz numa dificuldade maior de percepção por oferecer uma menor sinalização fonética bem como menos tempo para decodificar a informação. Isto representa também um grau de tolerância inferior para com desvios de pronúncia.
Outra diferença fundamental é encontrada no número de fonemas vogais. Devido à economia no uso de sílabas, o inglês precisa de um número maior de sons vogais para diferenciar as inúmeras palavras monossilábicas. Enquanto que português apresenta um inventário de 7 vogais (não incluindo as variações nasais), no inglês norte-americano identifica-se facilmente a existência de 11 fonemas vogais. Logicamente a percepção e a produção de um número maior de vogais do que aquelas com que estamos acostumados em português, representará uma grande dificuldade. Veja Vogais do Português e do Inglês.
Encontra-se também diferenças no plano dos sons consoantes. Além de rico na ocorrência de consoantes, o inglês possui um número maior de fonemas consoantes. Estudos fonológicos normalmente classificam 24 consoantes em inglês contra 19 no português. Além disso, consoantes em inglês podem ocorrer em posições que não ocorreriam em português. Veja Consoantes do Português e do Inglês.
Acentuação tônica de palavras é outro aspecto que representa um contraste importante entre português e inglês. A forma predominante de acentuação tônica de uma língua influi significativamente na sua característica sonora. Enquanto que em português encontramos apenas 3 tipos de acentuação tônica (oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas), em inglês encontramos pelo menos 5 tipos de acentuação tônica. Veja Acentuação Tônica de Palavras em Inglês e Português.
O ritmo da fala também é uma característica importante da língua. Enquanto que o português é uma língua syllable-timed, onde cada sílaba é pronunciada com certa clareza, o inglês é stress-timed, resultando numa compactação de sílabas, produzindo contrações e exibindo um fenômeno de redução de vogais como conseqüência. Veja mais sobre este tema em Ritmo e o Fenômeno da Redução de Vogais.


--------------------------------------------------------------------------------


CONCLUSÕES

Qualquer estudo de diferenças fonéticas entre inglês e português bem como o estudo da correlação entre a ortografia e a pronúncia do inglês, mesmo que superficiais, servem de evidência de que não há aprendizado de inglês se não houver intenso contato com a língua na sua forma oral.
A desconcertante falta de correlação entre ortografia e pronúncia, sendo uma das principais características do inglês, bem como um grande obstáculo a seu aprendizado, constitui-se num forte argumento em favor de abordagens baseadas em assimilação natural ao invés de estudo formal da língua, para se alcançar fluência.
É indispensável o uso de algum tipo de símbolos fonéticos desde o início no ensino de línguas, principalmente inglês. É inadmissível que materiais didáticos para iniciantes não abordem a forma oral da língua através de símbolos fonéticos.
Contato prematuro com textos em inglês, pode causar internalização e fossilização de desvios de pronúncia, porquê o estudante de inglês como segunda língua inadvertidamente irá aplicar uma interpretação fonética do que vê baseada na interpretação fonética da língua mãe. Constitui-se portanto num erro fundamental.
Seria mais eficaz proporcionar ao jovem 3 ou 4 anos de contato com a língua falada, na escola de primeiro grau, do que os 7 ou 8 anos de contato com a língua escrita (predominantemente tradução e gramática) atualmente oferecidos no segundo grau.


--------------------------------------------------------------------------------


ORIENTAÇÕES PARA UMA BOA PRONÚNCIA

O momento ideal para o desenvolvimento de uma boa pronúncia de uma língua estrangeira é a infância e, no caso de adolescentes e adultos, é o início do aprendizado, pois desvios de pronúncia tendem a cristalizar-se. No aprendizado de uma língua como inglês, cuja correlação entre ortografia e pronúncia é extremamente irregular, é importante intensificar o contato com a língua falada logo no início do aprendizado, evitando o contato prematuro excessivo com a forma escrita. Veja: Correlação entre pronúncia e ortografia.

Diferentes pessoas podem ter diferentes graus de acuidade auditiva, influenciando o grau de dificuldade em perceber a sutileza de certas diferenças relevantes, bem como o grau de precisão com que vão reproduzir os sons da língua estrangeira. Por esta razão, é recomendável que se faça uma avaliação audiométrica - um exame de audição feito por fonoaudiólogos que determina exatamente o quanto a pessoa ouve, da mesma forma que um exame de oculista avalia a visão.

Independentemente do grau de acuidade auditiva do aprendiz, a qualidade do input recebido pelo aluno é o fator mais importante. Por isso, é fundamental buscar-se um instrutor de excelente pronúncia. Se o instrutor não for falante nativo, deve ter no mínimo um ano e meio (TOEFL 600+) de experiência em país de língua inglesa.

Infelizmente, fica difícil para um aluno principiante distinguir uma boa pronúncia de uma pronúncia distorcida pela interferência da língua mãe (sotaque estrangeiro). Isso torna o principiante uma presa fácil de cursos menos sérios. Por isso é sempre recomendável procurar conhecer o inglês de seu futuro instrutor na presença de um amigo que fale inglês muito bem, ou bem suficiente para reconhecer uma boa pronúncia. Lembre-se: não é o nome da escola nem a suposta metodologia por ela usada que farão a diferença, mas sim as qualidades pessoais do instrutor. Veja aqui o que é um bom instrutor.

É importante também adquirir noções de fonologia para conscientizar-se da existência de diferenças, e identificá-las individualmente. A partir daí, o aluno deve exercitar os novos sons. Veja: Diferenças de pronúncia entre inglês e português.

Para adquirir-se não apenas a correta pronúncia de fonemas, mas também a acentuação tônica das palavras e a entonação da frase, desde o início do aprendizado, é necessário ao aluno desenvolver a arte da imitação e sempre consultar uma fonte autorizada: um native speaker ou uma pessoa que fale com boa pronúncia, um dicionário com símbolos fonéticos, ou ainda os modernos dicionários eletrônicos de bolso que reproduzem som (modelos da linha Franklin: LM6000B, MWS-1840 ou SCD-770, custando de 140 a 200 dólares). Existem também dicionários na forma de CD-ROMs para microcomputadores com reprodução de sons, os quais entretanto não oferecem a mesma praticidade dos dicionários Franklin. Existe ainda o dicionário Merriam-Webster OnLine.

 
 
English Made in Brazil <http://www.sk.com.br/>
 
 
 
 
 
© 2004 -Todos os direitos reservados. All rights reserved.

Muitas matérias e artigos contidos neste site foram retirados da própria internet, portanto buscaremos sempre que possível citar as fontes e os autores. Em caso de qualquer reclamação ou pedido para que retiremos um texto, favor comunicar ao Webmaster.