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Assim
como você pode ser um bom motorista sem saber
qual é a diferença entre um motor diesel
e outro a gasolina, assim como conseguimos nos expressar
bem em português sem sabermos o que é uma
oração subordinada, você pode também
falar línguas sem ter que estudá-las.
A
expressão "aprender inglês" está
tão batida e surrada, que já não
tem um significado muito claro e não resiste
a uma análise mesmo superficial.
Se
"aprender inglês" significa conhecer
sua estrutura, saber formar frases interrogativas e
negativas no seu caderno sem errar, decorar os verbos
irregulares, algum vocabulário, e até
transformar frases para a voz passiva, então
você já aprendeu no 2o grau e não
precisa mais se preocupar - está pronto para
o próximo século.
Se "aprender inglês" significa terminar
o Livro X do Cursinho Y, ou ter um certificado do Cursinho
Z, muitos de vocês também já estão
prontos.
Entretanto, se "aprender inglês" significa
falar com naturalidade, sentir-se à vontade na
presença de estrangeiros, acompanhar filmes e
as notícias da CNN, ter acesso a toda informação
disponível na Internet, argumentar, defender
seus pontos de vista, comprar e vender em inglês,
construir laços de amizade ou namorar em inglês,
funcionar como um ser humano normalmente funciona em
sociedade, conhecer os costumes e as diferenças
culturais, notar quando alguém fala com sotaque,
então talvez você não esteja ainda
pronto para este século.
No 1o caso acima, "aprender inglês"
significa armazenar informações e conhecimento
a respeito da estrutura gramatical da língua
na sua forma escrita predominantemente.
No
2o caso, significa marchar no compasso de um plano didático
predeterminado, memorizando vocabulário, frases
e expressões de forma mecânica ou repetitiva
em contextos fora da realidade do aluno. O pensamento
continua a se estruturar nas formas da língua
mãe, e o esforço é todo dirigido
a traduzir rapidamente. O aluno dificilmente alcançará
espontaneidade na comunicação.
No
3o caso, significa desenvolver habilidade funcional.
É o que a lingüística moderna denomina
de language acquisition - assimilação
natural. É um processo equivalente ao de assimilação
da língua mãe pelas crianças. É
reaprender a estruturar o pensamento, desta vez nas
formas de uma nova língua. Cada um desenvolve
de acordo com seu próprio ritmo, num processo
que produz habilidade prática, comunicação
criativa, e não necessariamente conhecimento.
É comportamento humano, fruto de convívio,
de situações reais de interação
em ambientes da cultura estrangeira. A realidade do
aprendiz faz parte do contexto em que a comunicação
ocorre. Ensino e aprendizado, se é que assim
podem ser chamados, são vistos como atividades
que ocorrem num plano pessoal-psicológico.
Portanto,
quando pensamos em "aprender inglês"
precisamos entender exatamente o que queremos para saber
onde buscá-lo.
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