| |
O
que tem ocorrido ao longo do tempo é que a responsabilidade
sobre o papel formador das aulas de Línguas Estrangeiras
tem sido, tacitamente, retirado da escola regular e
atribuído aos institutos especializados no ensino
de línguas. Assim, quando alguém quer
ou tem necessidade, de fato, de aprender uma língua
estrangeira, inscreve-se em cursos extracurriculares,
pois não se espera que a escola média
cumpra essa função.
Às portas do novo milênio, não é
possível continuar pensando e agindo dessa forma.
É imprescindível restituir ao Ensino Médio
o seu papel de formador. Para tanto, é preciso
reconsiderar, de maneira geral, a concepção
de ensino e, em particular, a concepção
de ensino de Línguas Estrangeiras.
... o Ensino Médio possui, entre suas funções,
um compromisso com a educação para o trabalho.
(Parâmetros curriculares nacionais, códigos
e suas tecnologias. Língua estrangeira moderna.
Brasília: MEC, 1999. pp 49-63.)
Es por esto, que las escuelas deben de considerar un
desarrollo multicultural en sus salones de clase para
proveer un ambiente social que apoye el aprendizaje
del niño y la adquisisión de un segundo
idioma. (Anna I. Escalante, St. Thomas University, Houston
TX 05/1997).
INTRODUÇÃO
A
atual transformação do mundo em direção
a uma comunidade globalizada é mais rápida
do que parece. No Brasil, pais conscientes das exigências
deste mundo moderno e preocupados em proporcionar o
melhor para seus filhos, precisam hoje gastar, além
dos cerca de 4.000 reais por ano de escola secundária
particular, mais 1.200 em cursos de inglês. As
escolas, por sua vez, sem terem uma visão clara
de o que significa "aprender inglês",
e insistindo numa abordagem ao ensino de línguas
inspirada ainda em metodologia do início do século,
comprovadamente ineficaz, deixam de cumprir plenamente
com suas atribuições: a de proporcionar
as qualificações básicas necessárias
ao indivíduo de uma sociedade em processo de
globalização irreversível.
FATOS
A SEREM CONSIDERADOS:
Fluência
na língua da comunidade global, além de
ser um instrumento indispensável nas carreiras
acadêmica e profissional do homem moderno, é
também aptidão multicultural e capacidade
de interpretar a realidade sob diferentes prismas, representando
portanto desenvolvimento intelectual.
O período ideal para tornar a pessoa bilingüe
é a infância e a adolescência. Estudos
no campo da neurolingüística, da psicologia
e da lingüística já demostram que,
por fatores de ordem biológica e psicológica,
quanto mais cedo, melhor. O ritmo de assimilação
das crianças não só é mais
rápido, como o teto, mais alto.
Assim como o local ideal para se aprender tênis
e futebol é a cancha e o campo, para se aprender
química é o laboratório, ambientes
ideais para o aprendizado de línguas são
centros de convívio multiculturais.
A criança, muito mais do que o adulto, precisa
e se beneficia de contato humano. Crianças têm
grande resistência ao aprendizado formal, artificial
e dirigido. Elas só procuram assimilar e fazer
uso da língua estrangeira em situações
de autêntica necessidade, desenvolvendo sua habilidade
e construindo seu próprio aprendizado a partir
de situações reais de interação
em ambiente da língua e da cultura estrangeira.
Ao perceberem que a pessoa que deles se aproxima fala
sua língua mãe, dificilmente se submetem
à difícil e frustrante artificialidade
de usar outro meio de comunicação. A autenticidade
do ambiente é mais importante do que o caráter
(lúdico ou não) das atividades, e ambos,
indiscutivelmente, são mais importantes do que
qualquer planificação didática
prédeterminada.
Os pais e a sociedade em breve estarão a exigir,
principalmente daquelas escolas particulares cujas receitas
não justificam nenhuma postergação,
que cumpram com a obrigação que lhes compete:
proporcionar todas as qualificações básicas
necessárias ao indivíduo da sociedade
moderna, inclusive fluência em língua estrangeira.
Existe plena viabilidade econômica. A proliferação
em cadeia de cursos de inglês, com lojas abrindo
em cada esquina, em cidades grandes e pequenas, freqüentemente
caracterizadas pela improvisação e pelo
amadorismo, e custando de R$500 a R$700 por semestre
(mais de 20% do total dos encargos educacionais), demonstra
a viabilidade econômica da criação
de departamentos de educação bilingüe
ou de centros de convívio e de intercâmbio
lingüístico e cultural dentro da própria
escola. Pais conscientes das exigências imediatas
do mundo moderno hoje precisam confiar seus filhos às
mãos de instrutores nem sempre qualificados ou
nem sempre bem remunerados. O que hoje é uma
oportunidade de mercado, normalmente explorada por investidores
oportunistas, pode e deve gradativamente passar a ser
gerenciado por profissionais com competência acadêmica,
de preferência dentro da própria escola
que o jovem já freqüenta.
CONCLUSÃO
Compete
portanto às escolas primária e secundária
criar centros de convívio que proporcionem ambientes
multiculturais de language acquisition para complementar
o ensino convencional de inglês (fortemente inspirado
em language learning) já normalmente oferecido.
Esses centros de convívio em língua estrangeira
devem contar com a participação de falantes
nativos e, na escola secundária, podem ser complementados
com convênios junto a escolas no exterior e programas
de intercâmbio cultural. No caso das escolas secundárias,
tais centros de language acquisition poderiam vir a
servir como etapa intermediária no processo de
implementação de educação
bilingüe, onde determinadas matérias do
currículo escolar são ministradas em língua
estrangeira, a exemplo das escolas internacionais encontradas
em cidades grandes.
|