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Learning a foreign language at a very young age can clearly benefit children's reading abilities later and hopefully parents and educators can help to provide the resources for this to happen. Ellen Bialystok, Ph.D., York University

As English becomes the chief means of communication between nations, it is crucial to ensure that it is taught accurately and efficiently, ... David Crystal

Em primeiro lugar, precisamos entender exatamente o que significa "aprender inglês", para podermos entender a distinção entre acquisition e learning, conforme a respeitada teoria sobre aprendizado de línguas estrangeiras de Stephen Krashen.

O conceito de language learning está ligado à abordagem tradicional ao ensino de línguas, assim como é ainda hoje praticada na escola secundária. A atenção volta-se à língua na sua forma escrita e o objetivo é o entendimento pelo aluno da estrutura e das regras do idioma através de esforço intelectual e de sua capacidade dedutivo-lógica. É um processo progressivo e cumulativo, através do qual se oferece ao aluno conhecimento a respeito da estrutura da língua estrangeira, de seu funcionamento, conhecimento esse que espera-se venha a se transformar na habilidade de entender e falar essa língua.
Language acquisition refere-se ao processo de assimilação natural, subconsciente, intuitivo, fruto de situações reais de interação humana. É semelhante ao processo de assimilação da língua mãe pelas crianças; processo esse que desenvolve familiaridade com a língua na sua forma oral, produzindo habilidade prática e não necessariamente conhecimento. Exemplo de language acquisition são os programas de intercâmbio cultural, através dos quais adolescentes e jovens adultos residem em países de língua e cultura estrangeira durante um ano, atingindo um grau de fluência próximo ao de língua mãe.
Em language learning, o professor ensina um conteúdo predeterminado e o aluno adquire conhecimento; em language acquisition de preferência não há professor, há, isto sim, interação humana intercultural (entre pessoas de diferentes línguas e culturas), na qual um funciona como agente facilitador e através da qual o outro (aluno) constrói sua própria habilidade, na direção de seus interesses.

Krashen finalmente sustenta que language acquisition explica não só o desenvolvimento da língua mãe, mas também a assimilação de línguas subseqüentes, sendo mais importante do que language learning para a assimilação da língua estrangeira, não só para crianças, mas também para adultos.

Portanto, o que a lingüística aplicada moderna preconiza (especialmente para crianças) é acquisition. E para que acquisition ocorra, é preciso que a criança ou o jovem esteja situado em um autêntico ambiente de convívio na língua e na cultura estrangeira. Um ambiente desses, entretanto, dificilmente pode ser criado artificialmente. O elemento fundamental desse ambiente são as pessoas que o compõe.

Se os pais, por exemplo, falarem o idioma estrangeiro como língua mãe, irão naturalmente transmiti-lo para a criança no convívio familiar. Entretanto, pais que falam o idioma estrangeiro, porém não como língua mãe, não devem iludir-se com a possibilidade de ensiná-lo a seus filhos, uma vez que ambientes de language acquisition são dificilmente criados artificialmente. A língua usada é parte importante do relacionamento entre duas pessoas. A intimidade de um ambiente familiar tem uma identidade única, tornando-se difícil criar ambientes múltiplos, caracterizados por diferentes línguas. A língua que a família usa é a língua que a criança assimilará. Para assimilar outras línguas, a criança terá que freqüentar outros ambientes.

Se o ambiente familiar não oferecer language acquisition, pode-se buscá-lo em outros ambientes (escolas de línguas), nos quais o papel do facilitador é fundamental.

Embora salas de aula não sejam o ambiente ideal para assimilação de línguas estrangeiras, é possível criar-se um ambiente de acquisition em sala de aula. Para isso, o professor deve funcionar como facilitador, preenchendo dois requisitos básicos: domínio sobre o idioma (inclusive competência cultural) a nível de língua mãe e habilidade pessoal para saber explorar os aspectos psicológicos e afetivos do aprendizado de línguas da criança. Se o facilitador falar inglês com sotaque e com outros desvios que normalmente caracterizam aquele que não é nativo, a criança os assimilará, e talvez para sempre.

Os ambientes ideais de language acquisition podem ser classificados em ordem de preferência:

a) Um país de origem da língua e da cultura que se procura adquirir. Por exemplo, os Estados Unidos ou a Inglaterra para inglês. Neste ambiente os facilitadores seriam todos: amigos, colegas, professores, e talvez o(s) próprio(s) pai(s).

b) Um ambiente familiar, como o descrito anteriormente.

c) Uma escola de línguas que saiba e que tenha condições de criar ambientes de convívio multiculturais com situações reais e concretas de interação humana, em que acquisition possa ocorrer. Aqui, os materiais a serem usados são irrelevantes e a existência de um plano didático predeterminado é contraproducente. Fundamental é que haja espaço para improvisação e criação e que o(s) facilitador(es) preencham os dois requisitos básicos: plena competência na língua com sua cultura e habilidade de construir vínculos com crianças e adolescentes no plano afetivo. O ideal é que o(s) facilitador(es) sejam nativos estrangeiros por diferentes razões:
1) Transferem ao aluno sua maneira de estruturar o pensamento em linguagem pura, isenta de desvios.
2) Como o magnetismo de opostos que se atraem, a presença do elemento estrangeiro no contato intercultural estimula a natural curiosidade pelo desconhecido e o desejo de explorá-lo. O falante nativo é a personificação da língua e da cultura estrangeira, constituindo-se elemento motivador chave.
3) As limitações do estrangeiro com a língua mãe do aluno possibilitam a inversão de papéis, fazendo a criança ou o jovem sentir-se as vezes superior e desenvolvendo-lhe a autoestima.
4) Crianças têm grande resistência ao aprendizado formal, artificial e dirigido. Elas só procuram assimilar e fazer uso da língua estrangeira em situações de autêntica necessidade, construindo seu próprio aprendizado a partir de situações reais. Se perceberem que a pessoa que deles se aproxima fala sua língua mãe, dificilmente se submeterão à difícil e frustrante artificialidade de usar outro meio de comunicação.
É altamente desejável também que tais centros de convivência contem com a participação de estrangeiros nativos de idade semelhante à dos alunos.
Portanto, os pais monolíngües devem cuidar para não caírem no erro elementar de acreditar que para se falar uma língua estrangeira tem que se adquirir conhecimento a respeito dela de forma estruturada, e que esse conhecimento seus filhos devem adquirir através de esforço, e que esse esforço deve ser imposto e cobrado.

Os pais que falam inglês (bem) podem ajudar criando rotineiramente momentos de interação em inglês entre si, despertando assim a consciência e o interesse da criança. O papel dos pais também é importante no desenvolvimento da autoestima e da autoconfiança da criança com relação a seu desenvolvimento na língua estrangeira.

Finalmente, os pais devem saber encontrar um ambiente de convívio que proporcione language acquisition para seus filhos. Aqui cabem dois alertas:

Primeiro: É grande a responsabilidade ao se colocar crianças que ainda não atingiram a idade crítica (e mesmo depois), em clubes, cursinhos ou escolinhas que oferecem cursos de inglês atrelados a planos didáticos rígidos (ênfase em learning), geralmente com instrutores de proficiência limitada. Sotaque, pobreza idiomática, limitações de vocabulário e outros desvios que normalmente caracterizam aquele que não é nativo serão transferidos à criança, causando a internalização dos mesmos e podendo se transformar em danos irreversíveis. Seria como colocar a gema bruta nas mãos de um lapidador aprendiz. Esta é uma área de atividade muito vulnerável a um comércio inescrupuloso e amador que facilmente e freqüentemente explora a boa-fé daqueles que buscam o melhor para seus filhos sem poupar esforços.

Segundo: Uma vez que o momento e a forma ideal de se alcançar proficiência em línguas estrangeiras é a idade escolar, e sendo bilingüismo uma qualificação básica do indivíduo na sociedade moderna, compete às escolas primária e secundária proporcionar ambientes de language acquisition - e já! Os pais devem começar a se conscientizar disso e exigi-lo, principalmente daquelas escolas particulares cujos resultados financeiros não justificam nenhuma postergação.


 
Schütz, Ricardo. "O Papel dos Pais na Erradicação do Monolingüismo."
English Made in Brazil <http://www.sk.com.br/sk-pais.html>. Online. 20 de fevereiro de 2002.
 
 
 
 
 
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